9 de setembro de 2025
Apenas 48 horas antes do Tomorrowland receber mais de 400.000 fãs de música eletrónica, o seu icónico palco principal foi reduzido a cinzas. A fumaça negra que se espalhava sobre Boom, na Bélgica, serviu como um forte lembrete para o setor de seguros: a magia dos festivais repousa sobre bases frágeis.
A cena trouxe de volta memórias de um incidente semelhante em 2017, quando o palco UNITE-Tomorrowland em Barcelona pegou fogo, forçando a evacuação de 22.000 participantes em menos de três minutos.
Separados por oito anos, ambos os eventos oferecem mais do que imagens dramáticas — eles provocam uma reflexão séria sobre gestão de riscos, prevenção e resiliência em eventos temporários de grande escala.
Verão: época alta de riscos
O verão é sinónimo de festivais, concertos e encontros ao ar livre — mas também traz improvisação, horários apertados e previsão limitada. Festivais de grande escala dependem de infraestruturas temporárias, muitas vezes construídas sob pressão e com pouca margem para erros — uma combinação perfeita para incidentes como o que ocorreu no Tomorrowland.
Nos bastidores, a realidade é complexa:
- Construções iniciais sem testes prévios.
- Prazos apertados que levam a atalhos, por vezes comprometendo a segurança.
- Equipes técnicas trabalhando em espaços confinados sem coordenação adequada.
- Instalações incompletas sobrepostas a ensaios e ajustes de última hora.
- Protocolos de segurança flexibilizados devido a restrições de tempo.
Essa combinação cria um terreno fértil para incêndios, falhas estruturais, erros humanos ou eventos naturais imprevistos.
Anatomia de um incêndio previsível: o que correu mal no Tomorrowland
As investigações iniciais sugerem uma falha técnica durante os testes de iluminação e pirotecnia. As chamas rapidamente consumiram mais de 30 metros de peças de poliestireno, milhares de painéis LED e equipamento de som no valor de 7 milhões de euros.
O lado positivo: não houve feridos. A evacuação de 1.000 trabalhadores foi executada de forma rápida e eficiente, graças a um plano de emergência bem ensaiado.
O incêndio no Tomorrowland pode ter sido acidental, mas transmite a mesma mensagem: a resiliência não pode ser teórica. Os protocolos de resposta precisam ser ensaiados, as rotas testadas e os funcionários treinados. Quando uma crise ocorre, é tarde demais para elaborar um plano — é necessário ter um plano que já tenha sido testado, compreendido e esteja pronto para ser implementado.
Quando cada segundo conta: a importância da preparação
Em uma emergência, cada segundo é importante. No Tomorrowland, as prioridades eram claras: proteger vidas, conter o incêndio e minimizar as perdas. Ter um protocolo é vital, mas saber como aplicá-lo é ainda mais importante. As equipas devem ter clareza sobre:
- Quem contactar.
- Que medidas tomar.
- Como desligar os suprimentos.
- As rotas de evacuação mais seguras.
A coordenação com os bombeiros e as forças de segurança foi fundamental. Embora eles liderem a resposta, uma equipa interna treinada pode fazer uma diferença decisiva — e, às vezes, até mesmo evitar a necessidade de intervenção externa.
Eventos como o Tomorrowland são um lembrete de que nenhuma produção opera isoladamente. Na Sedgwick, estamos cada vez mais a coordenar sinistros transfronteiriços — com equipas no Reino Unido, Espanha e em toda a EMEA e Extremo Oriente a trabalhar em conjunto em sinistros complexos para festivais, filmes e eventos ao vivo.
Quer se trate de uma produção em várias etapas ou de uma filmagem com três câmaras, é essencial compreender o contexto da produção e a estrutura do seguro. Na realidade, o espetáculo só continua quando a resposta é alinhada, credível e rápida.
Gestão de crises: além das chamas
O impacto de um desastre vai além das perdas financeiras. No caso de eventos recorrentes, os danos à reputação podem ser mais difíceis de recuperar do que um cancelamento.
A Tomorrowland respondeu rapidamente, graças a três decisões estratégicas:
- Palco alternativo: Em 48 horas, foi construído um palco principal modular, preservando a experiência do festival, apesar da perda do cenário original.
- Divisão operacional: Se o novo palco não estivesse pronto até sexta-feira, os DJs principais se apresentariam no DreamVille, uma área separada do local. Esse “Plano B” teria garantido uma experiência positiva para os participantes, independentemente do que acontecesse.
- Cobertura do seguro: As apólices de seguro patrimonial e de cancelamento de eventos cobriram os custos diretos (equipamentos alugados, cenografia, receita de bilhetes) e as despesas de mitigação.
Lições sobre seguros que não devem ser esquecidas
As seguradoras estão a fazer perguntas mais difíceis agora — e com razão. No Reino Unido, há um escrutínio crescente em torno da documentação de risco: declarações de métodos, cronogramas de ensaios, registos de inspeção e até imagens de drones de montagem ou proteção contra incêndios. A diferença entre o que está escrito numa avaliação de risco e o que realmente acontece no local pode ser a diferença entre um acordo rápido e uma disputa prolongada sobre a cobertura. Se os protocolos existem no papel, mas não são seguidos na prática, espere perguntas — e atrasos.
Esses incidentes destacam uma verdade fundamental: por mais minucioso que seja o planeamento, nem tudo pode ser evitado. É por isso que ter o seguro certo não é opcional — é estratégico.
Principais conclusões:
- As avaliações de risco são exigidas por lei e essenciais para a segurança. Elas devem ser adaptadas ao evento e ir além das avaliações padrão.
- As medidas preventivas identificadas durante a avaliação devem ser implementadas — tanto para cumprir os requisitos regulamentares como para satisfazer as seguradoras.
- É necessário que exista um protocolo de emergência abrangente — e, mais importante ainda, todos os funcionários (especialmente os líderes de equipa) devem compreendê-lo e saber quem contactar em caso de incidente.
Cada incidente deve ser analisado para determinar a sua causa principal e implementar medidas que evitem a sua repetição.
O papel do seguro: amenizar o impacto
Ter um seguro é uma coisa; conseguir que ele responda sob pressão é outra. Já lidámos com sinistros importantes em que tudo foi questionado, desde os prazos de ignição até à comparabilidade do kit de substituição. A continuidade dos negócios não depende apenas de ter um plano B, mas também de ser capaz de justificar os gastos, mostrar o seu trabalho e provar que a sua mitigação foi proporcional, necessária e coberta. É aí que os avaliadores experientes e o apoio coordenado dos corretores entram em ação, especialmente quando a coordenação abrange várias fronteiras.
Mesmo com precauções robustas, alguns incidentes são inevitáveis. É por isso que, do ponto de vista do seguro, uma análise de risco minuciosa e uma cobertura abrangente são essenciais — não apenas para danos materiais, mas também para perda de rendimentos, cancelamento de eventos e responsabilidade civil.
Cultura de gestão de riscos: a pedra angular da continuidade dos negócios
A experiência do Tomorrowland mostra que uma cultura genuína de gestão de riscos vai além dos protocolos escritos — ela deve estar incorporada nas operações diárias. Antecipação, ensaios, formação de pessoal e coordenação com os serviços de emergência foram fundamentais para evitar vítimas e conter os danos.
O Reino Unido também está a entrar numa nova era regulatória. Com a Lei Martyn prestes a entrar em vigor, os organizadores de eventos terão a obrigação legal de incorporar o combate ao terrorismo e o planeamento para incidentes graves em todas as etapas das suas operações. Isso vai muito além dos simulados de incêndio; trata-se de ter planos de resposta credíveis e dinâmicos para uma série de ameaças, desde incidentes acidentais até ataques deliberados.
Isso prova que o planeamento de riscos deve ser vivido, não apenas documentado. As equipas devem ser treinadas, preparadas e confiantes na sua resposta — porque quando cada segundo conta, a agilidade é tudo.
A continuidade dos negócios não depende de boa vontade ou improvisação, mas sim de uma preparação deliberada, incluindo alternativas operacionais e cobertura de seguro adequada. A rápida montagem de um palco alternativo, combinada com um plano B logístico e artístico pré-planejado, garantiu que o festival pudesse continuar e que a experiência do público fosse preservada.
Esta abordagem proativa, apoiada por políticas que abrangem tudo, desde danos materiais até perda de receitas, mostra que, embora a prevenção ajude a reduzir o impacto, apenas a antecipação com soluções concretas garante que o espetáculo possa continuar.
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