20 de agosto de 2025
Naprimeira parteda nossa série sobre gestão de sinistros de grandes perdas patrimoniais, explorámos os elementos fundamentais da coordenação especializada e da supervisão estratégica. Agora, voltamos a nossa atenção para um dos componentes mais críticos e frequentemente subestimados da gestão bem-sucedida de sinistros: fazer as perguntas certas.
Quando ocorre uma grande perda patrimonial, a resposta inicial pode ser avassaladora. Há danos a avaliar, partes interessadas a envolver e decisões a tomar sob pressão. Mas antes de entrar em ação, é essencial fazer uma pausa e colocar as perguntas certas. Isso pode economizar tempo, reduzir custos e evitar erros que complicam a recuperação.
Por que as perguntas são importantes
Cada sinistro de grande valor é único. De furacões e inundações a incêndios e explosões, as variáveis são infinitas. Fazer perguntas específicas no início do processo ajuda a estruturar o projeto, definir prioridades e descobrir riscos ocultos. Também define o tom para a colaboração e garante que todas as partes — incluindo peritos, engenheiros, consultores ambientais, equipas jurídicas e o segurado — estejam alinhadas desde o início.
O que perguntar e a quem perguntar
As perguntas que você faz devem ser adaptadas ao tipo de perda, à propriedade envolvida e às partes interessadas no local. Aqui estão algumas categorias e exemplos importantes:
1. Questões específicas do projeto
- Que considerações especiais se aplicam a este local ou instalação?
- Existem sensibilidades ambientais, restrições regulatórias ou dependências operacionais?
- Quais são as preocupações imediatas em matéria de segurança?
Essas perguntas devem ser dirigidas ao segurado, aos gestores do local e aos especialistas em meio ambiente. As suas opiniões ajudam a definir a resposta inicial e orientar as atribuições dos especialistas.
2. Gestão do âmbito e dos custos
- Quais categorias de custos de restauração são relevantes e como são cobradas?
- Qual é o âmbito conceptual do trabalho de reparação?
- É necessário atualizar o código de construção?
Essas perguntas devem ser feitas a consultores de construção, engenheiros estruturais e estimadores de custos. Compreender o escopo antecipadamente ajuda a evitar disputas e garante que as projeções de custos sejam realistas e defensáveis.
3. Envolvimento de especialistas
- Que especialistas são necessários e quando devem ser chamados?
- São necessárias certificações para avaliações ambientais ou estruturais?
- Está previsto um litígio e como deve ser tratada a documentação especializada?
Os profissionais responsáveis pelas reclamações devem trabalhar em estreita colaboração com equipas internas e fornecedores externos para determinar a combinação certa de conhecimentos especializados. O envolvimento precoce, especialmente em matéria de higiene ambiental, segurança estrutural e preservação de equipamentos, é fundamental para minimizar a interrupção das atividades comerciais e preservar as provas.
4. Comunicação e documentação
- Quais são as preocupações dos segurados e como elas estão a ser abordadas?
- Quais são os resultados esperados de cada membro da equipa?
- Como as reuniões e decisões serão registadas?
Devem ser estabelecidos protocolos de comunicação claros com todas as partes interessadas. Os avaliadores e os líderes do projeto devem garantir que as discussões sejam documentadas, os prazos sejam acompanhados e quaisquer alterações nas condições sejam registadas.
Lições aprendidas no terreno
As conclusões da apresentação da Sedgwick na recente Conferência sobre Reclamações da PLRB reforçaram a importância de fazer as perguntas certas. Num estudo de caso envolvendo um incêndio numa escola, as perguntas iniciais sobre riscos ambientais, integridade estrutural e conformidade com os códigos ajudaram a orientar uma resposta coordenada que minimizou atrasos e garantiu a segurança.
A apresentação também enfatizou o valor da comunicação orientada por processos. Ao estruturar o projeto desde o início e acompanhá-lo com documentação organizada, as equipas conseguiram manter o ritmo e evitar mal-entendidos dispendiosos.
Criar um ficheiro defensável
Em última análise, fazer as perguntas certas significa construir um arquivo defensável. Significa comprovar o âmbito, validar a abordagem e demonstrar que todas as decisões foram tomadas com cuidado e perícia. Em sinistros de grande valor, onde os riscos são elevados e o escrutínio é intenso, este nível de diligência não é opcional. É essencial.
Olhando para o futuro
Na nossa próxima edição, analisaremos mais detalhadamente como formar a equipa certa para sinistros de grandes perdas patrimoniais. Desde a seleção dos especialistas certos até à definição de funções e responsabilidades, exploraremos como uma composição cuidadosa da equipa pode gerar melhores resultados e garantir que todos os ângulos do sinistro sejam cobertos.
Etiquetas: Perda de bens
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