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Por Jillian Pancott, Sócia, Serviços de contabilidade forense

Quando os profissionais do direito e do setor dos seguros pensam em provas, a discussão começa frequentemente só quando o litígio já está em curso. Na realidade, porém, a qualidade das provas e, em última análise, a solidez de uma reclamação, são determinadas muito mais cedo.

Quer se trate de apoiar um pedido de indemnização, de intentar uma ação de recuperação ou de preparar um processo judicial, a recolha e a gestão de provas financeiras não são meramente um exercício administrativo. Trata-se de um processo estratégico que pode influenciar significativamente o desfecho de um caso.

Do ponto de vista da contabilidade forense, há uma lição que se destaca de forma consistente: as provas excepcionais raramente resultam da recolha de mais informação. Resultam da recolha da informação certa, no momento certo e para o fim certo.

A solidez de uma prova depende da solidez dos seus fundamentos

Os comprovativos financeiros dividem-se, em geral, em duas categorias: documentos apresentados externamente e informações elaboradas internamente.

Os documentos apresentados por terceiros — tais como demonstrações financeiras auditadas, declarações fiscais e documentos legais — constituem uma base independente de credibilidade. Normalmente, são elaborados para terceiros e, em muitos casos, revistos ou auditados, o que os torna pontos de referência valiosos tanto na mediação como no litígio.

No entanto, estes documentos carecem frequentemente dos pormenores operacionais necessários para quantificar com precisão as perdas. Esses pormenores encontram-se normalmente em informações elaboradas internamente, incluindo contas de gestão, livros-mestres, orçamentos, previsões e relatórios operacionais. Embora estes documentos forneçam informações inestimáveis sobre o desempenho quotidiano de uma empresa, também podem ser alvo de um maior escrutínio, uma vez que foram elaborados internamente.

A diferença entre provas internas credíveis e duvidosas resume-se, muitas vezes, a uma única coisa: a reconciliação.

A reconciliação dos registos internos com os documentos apresentados externamente promove a transparência, explica as diferenças nos tratamentos contabilísticos e demonstra que a análise financeira se baseia em dados de origem fiáveis. Em vez de tratar a informação interna como prova secundária, a reconciliação transforma-a num elemento sólido do quadro probatório.

O momento certo é mais importante do que a maioria das pessoas imagina

Um dos desafios mais comuns encontrados em processos complexos é recorrer a peritos demasiado tarde. Quando um perito é contratado, os documentos podem já ter sido recolhidos, as decisões sobre o que é «relevante» já tomadas e os pressupostos já incorporados no processo. Se tiverem sido ignorados registos essenciais ou se os dados tiverem sido resumidos de forma a ocultar detalhes importantes, corrigir essas questões posteriormente pode ser difícil, dispendioso e, por vezes, impossível.

O envolvimento precoce de peritos altera esta dinâmica. Quando os peritos são envolvidos desde o início, podem ajudar a definir os pedidos de documentos, identificar possíveis lacunas probatórias e aconselhar sobre a forma como a informação financeira deve ser preservada antes que registos essenciais desapareçam ou as memórias se esbata. Mais importante ainda, ajudam a garantir que a recolha de provas se alinhe com o objetivo final do processo, e não apenas com o seu objetivo imediato.

Esta abordagem proativa reduz a duplicação de esforços, melhora a eficiência e reforça a credibilidade do parecer final.

O objetivo das provas vai-se alterando ao longo do processo

Um dos aspetos mais negligenciados da gestão de provas é o reconhecimento de que o objetivo das provas evolui frequentemente ao longo do período em que o perito está a exercer as suas funções.

Um caso pode começar como um pedido de indemnização ao seguro do próprio segurado, em que as provas são recolhidas principalmente para determinar a cobertura, a causalidade e o montante da indemnização. Posteriormente, pode passar a ser uma ação de regresso contra um terceiro, o que exige um padrão probatório muito mais elevado.

As informações que eram suficientes para facilitar as negociações sobre indemnizações podem já não satisfazer o nível de rigor exigido num processo judicial.

Esta mudança coloca desafios práticos e jurídicos. Os documentos recolhidos fora do âmbito do sigilo profissional podem ter de ser geridos de forma diferente. Os resumos de alto nível que eram aceitáveis durante a avaliação dos pedidos de indemnização podem passar a exigir documentação primária de apoio. Suposições que anteriormente não eram contestadas podem agora ser postas à prova no contra-interrogatório.

A recolha de provas tendo em conta esta possível evolução reduz a necessidade de voltar a abordar questões fundamentais mais tarde e ajuda a manter a coerência entre as posições adotadas ao longo de todo o processo.

A recolha de provas deve ser iterativa – e não pontual

É frequente esperar-se que os pedidos de documentos sejam concluídos de uma só vez, com toda a informação relevante a ser recolhida no início de um processo.

Na prática, a recolha de provas raramente é linear. À medida que os peritos analisam a informação e aprofundam a sua compreensão das questões, surgem novas questões, tornam-se necessários documentos adicionais e as hipóteses iniciais têm de ser validadas.

Em vez de considerar os pedidos repetidos de documentos como uma ineficiência, estes devem ser reconhecidos como parte de um processo de investigação disciplinado.

Uma estratégia de recolha de provas que associe cada documento solicitado a uma questão específica no âmbito do processo proporciona um quadro mais claro para a análise em curso e ajuda a evitar a recolha de informações desnecessárias, garantindo simultaneamente que as provas essenciais não sejam ignoradas.

A rastreabilidade gera credibilidade

Talvez a característica que mais define um parecer pericial de excelência seja a rastreabilidade. Cada parecer, cálculo e conclusão deve poder ser rastreado até à documentação de origem.

A análise forense não deve basear-se em suposições genéricas ou em ajustamentos não explicados. Em vez disso, cada valor deve ser fundamentado por referências claras, reconciliações e uma metodologia transparente, de modo a que outro perito — ou, em última instância, o Tribunal — possa acompanhar o raciocínio de forma independente.

Quando a documentação, os cálculos e as conclusões dos peritos estão todos em consonância, as provas apresentam um quadro coerente e convincente. Essa coerência é, muitas vezes, tão importante quanto a própria conclusão.

Lidar com os desafios

Mesmo com processos sólidos, podem surgir inevitavelmente questões relacionadas com as provas.

Informações contraditórias podem levar a conclusões divergentes, a uma redução da confiança e a atrasos desnecessários, enquanto as partes procuram conciliar posições divergentes.

A insuficiência de provas obriga a recorrer cada vez mais a pressupostos, aumentando a probabilidade de surgirem cenários alternativos e relatórios complementares para esclarecer ou aperfeiçoar as conclusões.

Podem surgir questões relacionadas com boatos ou informações de segunda mão à medida que os processos avançam para a fase de litígio, especialmente quando colaboradores-chave deixaram a empresa ou os documentos passaram pelas mãos de várias partes.

Talvez o maior desafio seja a existência de provas questionáveis, em que as explicações fornecidas pelas partes interessadas simplesmente não se coadunam com a documentação disponível. Nestas situações, os peritos têm a obrigação profissional de investigar as inconsistências, procurar mais elementos de apoio, quando apropriado, e comunicar claramente quaisquer limitações ou pressupostos subjacentes às suas conclusões.

Ignorar estas questões raramente reforça um argumento. Abordá-las de forma transparente quase sempre o faz.

As provas de excelência resultam da colaboração

Em última análise, as provas excepcionais não são produzidas por peritos que trabalham isoladamente.

É o resultado de uma colaboração eficaz entre seguradoras, advogados, peritos contabilísticos e clientes, todos empenhados em chegar a um entendimento comum sobre quais as provas necessárias e porquê.

Uma comunicação clara ao longo de todo o processo permite uma melhor tomada de decisões, reduz o trabalho desnecessário e garante que as provas se mantêm adequadas ao objetivo à medida que o litígio evolui.

Num contexto de sinistros cada vez mais complexo, as organizações que encaram a recolha de provas como uma disciplina estratégica, e não apenas como um requisito processual, colocam-se numa posição mais forte para resolver litígios de forma eficiente e com confiança.

Quando as provas são recolhidas de forma ponderada, documentadas de forma exaustiva e comunicadas com clareza, vão além de servir de suporte a um parecer pericial. Ajudam a relatar a história de uma perda financeira com clareza, credibilidade e confiança.

Para saber mais sobre como os especialistas em contabilidade forense podem ajudar a reforçar a base probatória de um pedido de indemnização, contacte a nossa equipa.