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Por Reinhard Andrew Puspito, consultor técnico, major executivo e perito em sinistros complexos

A Indonésia é uma das regiões mais propensas a desastres naturais do mundo. Abrangendo mais de 17.000 ilhas e situada ao longo do instável “Anel de Fogo” do Pacífico, o país sofre regularmente com inundações, deslizamentos de terra, terremotos e atividade vulcânica.

Para seguradoras, corretores e empresas, esses eventos catastróficos (CAT) geram muito mais do que perdas financeiras — eles acarretam uma complexidade operacional severa. Comunidades inteiras podem ficar fisicamente isoladas, infraestruturas essenciais podem ser comprometidas e documentação comercial vital pode ser destruída. Nesses momentos, o tratamento eficaz dos sinistros torna-se fundamental para a recuperação.

Com base em eventos recentes da CAT na Indonésia, apresentamos aqui algumas lições práticas sobre como lidar com sinistros em ambientes complexos e de alta pressão — e por que a competência técnica por si só não é suficiente.

Complexidade na prática

Os pedidos de indenização por CAT começam muito antes de qualquer avaliação formal. O primeiro desafio, muitas vezes, é simplesmente chegar ao local. Estradas alagadas, pontes danificadas e terreno instável podem limitar severamente o acesso, atrasando as inspeções e aumentando o risco para aqueles que trabalham no local. 

Mesmo depois de garantido o acesso ao local, os peritos enfrentam um gargalo operacional crítico: a forte tensão entre a necessidade da empresa de recuperação imediata e a exigência rigorosa da seguradora quanto à preservação das provas. Na pressa para restabelecer as operações, as empresas frequentemente iniciam limpezas imediatas e reparos apressados. Essas ações prematuras muitas vezes resultam na perda de registros, na desmontagem de maquinário e na escassez de provas fotográficas — o que dificulta significativamente a avaliação forense do sinistro.

Distinguir entre danos recentes e condições pré-existentes acrescenta mais uma camada de complexidade. Em casos de enchentes, tudo pode ficar submerso, dificultando a determinação do que foi causado pela catástrofe e do que se desenvolveu gradualmente ao longo do tempo. Uma avaliação precisa depende da identificação de padrões — como marcas consistentes deixadas pela água ou distribuição de detritos — e da aplicação de conhecimentos técnicos no contexto específico. 

Ao mesmo tempo, os peritos em sinistros precisam lidar com volumes crescentes de trabalho com recursos limitados, ao mesmo tempo em que equilibram as expectativas de diversas partes interessadas. Os segurados podem precisar de apoio financeiro imediato para se manterem. Os corretores podem pressionar por agilidade. As seguradoras frequentemente exigem estimativas de custo antecipadas, às vezes antes mesmo que seja possível realizar avaliações completas. 

Essas pressões são agravadas pelo aumento dos custos com prestadores de serviços, pelas restrições na cadeia de suprimentos e pelo desgaste físico e emocional de trabalhar em ambientes afetados por desastres. Nesse contexto, uma comunicação clara e uma tomada de decisão prática tornam-se essenciais — não apenas para gerenciar as reclamações de forma eficaz, mas também para manter a confiança entre todas as partes envolvidas.

Priorizando o que importa

Em desastres de grande escala, nem todos os sinistros devem ser tratados da mesma forma. Uma das estratégias mais eficazes é segmentar os sinistros com base na complexidade e na gravidade. 

Os sinistros de tramitação acelerada geralmente envolvem valores menores, com nexo de causalidade claro e danos simples. Entre eles podem estar pequenas perdas patrimoniais, danos ao estoque ou infiltração limitada de água. Ao otimizar a documentação, simplificar a notificação e apresentar recomendações rápidas sobre provisões, esses sinistros podem ser resolvidos rapidamente — proporcionando o alívio tão necessário aos segurados.

Os sinistros que exigem uma análise aprofundada requerem uma abordagem mais detalhada e em etapas. Entre eles estão grandes perdas industriais, riscos complexos de interrupção de atividades e casos que envolvem danos estruturais ou a máquinas de grande magnitude. Nesses casos, os peritos devem realizar avaliações técnicas, recorrer a engenheiros e realizar análises financeiras detalhadas para chegar a resultados justos.

A capacidade de dimensionar os recursos de forma adequada é fundamental. A tramitação acelerada de sinistros mais simples libera tempo e conhecimento especializado para que se concentre nos casos complexos, nos quais uma investigação mais aprofundada pode influenciar significativamente os resultados.

Em última análise, uma segmentação eficaz vai além da eficiência; trata-se de garantir que cada sinistro receba o nível de atenção de que realmente necessita.

Do caos à clareza

A complexidade dos sinistros por catástrofes é melhor compreendida por meio de exemplos reais.

Em um caso que tratamos recentemente, uma pequena oficina mecânica foi inundada, destruindo tanto os bens da empresa quanto a residência dos proprietários. Com a perda da maior parte dos registros físicos, o segurado enfrentou dificuldades significativas para documentar seu pedido de indenização. Em vez de se basearem exclusivamente na documentação formal, nossos peritos trabalharam em conjunto para reconstruir o prejuízo, utilizando observações no local, o estoque remanescente e os registros dos fornecedores, a fim de traçar um panorama preciso da situação. Essa abordagem demonstrou a importância da flexibilidade e da empatia. Apoiar o segurado na recuperação de seu negócio foi tão importante quanto validar o próprio pedido de indenização. 

Em outro caso envolvendo um armazém que armazenava produtos de qualidade alimentar, as suposições iniciais apontavam para uma perda total devido à contaminação. No entanto, por meio de testes e da colaboração com as autoridades, parte do estoque foi considerada segura para revenda. Ao separar as mercadorias afetadas das não afetadas e facilitar a comunicação aberta entre todas as partes, o sinistro foi resolvido de forma eficiente, preservando o valor comercial. 

Um terceiro caso envolveu uma unidade fabril em que os danos causados por uma enchente resultaram em um grande sinistro envolvendo maquinário. As estimativas iniciais apontavam para a substituição total, mas uma análise técnica mais detalhada identificou possibilidades de limpeza, reparo e restabelecimento parcial. Por meio da colaboração com engenheiros e de negociações persistentes, o valor final do acordo foi significativamente reduzido, sem deixar de garantir a segurança e restabelecer as operações. 

Em todos esses cenários, um tema permanece constante: os melhores resultados são alcançados por meio do pensamento prático, da colaboração e da disposição para questionar suposições.

Onde a especialização se une à empatia

Os sinistros decorrentes de catástrofes raramente são simples. Eles ocorrem em contextos marcados pela incerteza, pela urgência e pelo impacto humano.

Embora o conhecimento técnico seja essencial, ele por si só não é suficiente. O tratamento eficaz de sinistros exige bom senso, comunicação e a capacidade de tomar decisões bem fundamentadas em situações que mudam rapidamente. 

Na Sedgwick, nossa abordagem baseia-se tanto na precisão quanto na empatia. Reconhecemos que, por trás de cada sinistro, há pessoas enfrentando dificuldades e empresas se empenhando para se recuperar. Ao combinar rigor técnico com soluções práticas e apoio solidário, conseguimos ajudar clientes e comunidades a seguir em frente após a ocorrência de imprevistos.

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