Este estudo de caso destaca o papel essencial que os peritos desempenham na determinação da responsabilidade e na definição da estratégia global de gestão do sinistro. Uma investigação bem conduzida constitui a base de uma defesa sólida e influencia diretamente o desfecho de um sinistro.

Os nossos peritos, Chris Parkes e Yolanda Suarez, geriram este caso com grande competência, desde a avaliação inicial até à resolução final.

Para proteger a privacidade das pessoas envolvidas, os nomes e alguns detalhes do caso foram alterados.

Requerente contra Propriedade à Beira-Mar

Antecedentes

O segurado era proprietário de um imóvel destinado a alojamento turístico situado à beira-mar, anunciado numa conhecida plataforma de reservas online. Localizado a cerca de 100 metros da costa e rodeado por vegetação costeira, o imóvel dispunha de um caminho de areia que conduzia à entrada principal.

A requerente encontrava-se na propriedade com um grupo de amigos. Após regressar de uma pescaria, permaneceu sentada na plataforma traseira da carrinha de um amigo, que estava estacionada no jardim da frente, coberto de relva e areia. A requerente alegou que, ao descer da plataforma para sair do veículo, colocou o pé diretamente sobre uma pedra grande escondida por baixo da relva alta.

O requerente sofreu uma fratura no calcanhar direito e no tornozelo direito em consequência do incidente e foi transportado de ambulância para o hospital local para receber tratamento.

A investigação

Foi realizada uma investigação exaustiva para apurar as circunstâncias do incidente e avaliar a credibilidade das versões contraditórias apresentadas. As principais etapas incluíram:

Informações obtidas junto do segurado

  • Esclarecimento sobre a frequência com que o segurado se deslocava à propriedade para limpar e cuidar do jardim.
  • Confirmação da visita mais recente às instalações, antes da estadia do requerente.
  • Detalhes sobre a disposição do pátio e se havia pedras grandes no local.
  • O segurado informou que nunca tinham sido encontradas pedras de grandes dimensões na parte da frente da habitação. Referiu ainda que a precipitação tinha sido mínima nas semanas que antecederam a data do incidente, o que resultou num crescimento limitado da relva. O terreno circundante era constituído principalmente por areia.
  • O segurado apresentou uma fotografia tirada na semana anterior ao incidente, que mostrava claramente a ausência de relva alta nas instalações devido à prolongada falta de chuva.

Frequência no local

  • A visita ao local permitiu à nossa equipa recolher observações em primeira mão e verificar a disposição física e o estado do terreno.
  • Os dados pluviométricos obtidos junto do Serviço Meteorológico confirmaram a versão do segurado quanto à escassez de chuva no período que antecedeu o incidente, corroborando a afirmação de que era improvável que houvesse relva alta.

Provas médicas

  • Os registos médicos confirmaram que o requerente se encontrava sob a influência de cannabis no momento do incidente.

Análise do relato do requerente

Durante a análise da versão dos factos apresentada pelo requerente, surgiram várias inconsistências:

  • As fotografias fornecidas pelo requerente não mostravam quaisquer rochas de grandes dimensões nem erva alta na frente da habitação ou no local do alegado incidente. A área parecia plana, arenosa e coberta de erva baixa ou sem vegetação.
  • O requerente referiu ter consumido quatro cervejas ao longo de quatro horas nas 12 horas que antecederam o incidente. No entanto:
    • Ela afirmou que o incidente ocorreu no dia da sua chegada.
    • A hora do incidente foi indicada como 13h00.
    • A viagem da sua residência até às instalações demorou quase duas horas.
    • Uma vez que ela afirmou que o incidente ocorreu ao regressar de uma pescaria, ela já devia estar na zona há pelo menos várias horas.
    • A menos que ela tenha bebido as cervejas durante a viagem naquela manhã ou tenha começado a beber à 1h da manhã, é altamente provável que o álcool tenha sido consumido apenas algumas horas antes do incidente — o que levanta questões legítimas sobre o seu nível de embriaguez naquele momento.

A defesa

Durante a nossa correspondência com os advogados do requerente e na reunião obrigatória, mantivemos sempre a seguinte posição:

  1. Não existiam condições de risco— não havia pedras de grandes dimensões nem erva alta na propriedade na data do incidente ou por volta dessa data.
  2. A propriedade era mantida regularmente, sendo que o segurado se encarregava pessoalmente da limpeza e da manutenção do jardim após cada reserva de férias.
  3. O segurado tinha realizado uma avaliação do local na semana anterior à chegada do requerente, confirmando que o imóvel se encontrava em bom estado.
  4. Foram tomadas as precauções razoáveis, cumprindo-se assim o dever do segurado de manter as instalações em bom estado.
  5. As próprias fotografias do requerente corroboravam a nossa posição, não revelando a presença de pedras de grandes dimensões e mostrando um exterior bem conservado.
  6. As provas médicas indicaram um estado de incapacidade, confirmando que o requerente se encontrava sob a influência de álcool e cannabis no momento do incidente.
  7. Com base no exposto, mantivemos a recusa de responsabilidade.

A requerente solicitou inicialmente uma indemnização no valor de 358 058,28 dólares. No entanto, durante a conferência obrigatória, ficou claro que a requerente não conseguia fundamentar o seu pedido, à luz das provas recolhidas durante a nossa investigação.

Apresentámos uma proposta comercial no valor de 20 000,00 dólares, incluindo todas as despesas, mantendo a nossa recusa de responsabilidade. Dada a solidez das provas, o requerente aceitou esta proposta.

Custos para a seguradora

  • 28 564,38 $ – despesas de investigação e defesa
  • 20 000,00 $ – acordo

Conclusões práticas

Este caso demonstrou a importância de uma investigação exaustiva e baseada em provas para alcançar um resultado sólido e comercialmente viável. Através da recolha sistemática de informações factuais — desde inspeções no local e dados meteorológicos até provas médicas e análises fotográficas —, conseguimos refutar a versão dos acontecimentos apresentada pelo requerente com base em provas objetivas e verificáveis.

Além disso, alcançámos uma resolução comercial favorável para a seguradora, reduzindo o pedido do requerente de 358 000 dólares para um acordo no valor de 20 000 dólares, incluindo custos, mantendo simultaneamente a recusa de responsabilidade.

Em suma, o caso veio reforçar que investigações bem conduzidas, a recolha atempada de provas e uma estratégia de defesa coerente são fundamentais para minimizar os riscos e garantir resultados positivos para os clientes.