O risco sempre fez parte dos negócios, mas o cenário atual parece diferente. O ritmo das mudanças é mais acelerado, as interligações entre os riscos são mais estreitas e as consequências de não estar devidamente preparado são mais visíveis.

Esse foi o tema central de uma recenteconversa informalentreDave Arick, diretor-gerente de Gestão Global de Riscos da Sedgwick,eJoe Peiser, CEO global da Aon Risk Capital. A discussão reuniu as conclusões do recenteestudo global sobre riscosda Sedgwick e da já tradicional Pesquisa Global de Gestão de Riscos da Aon, que apontam para uma conclusão semelhante: as organizações estão cada vez mais conscientes da volatilidade, mas muitas ainda estão trabalhando para transformar essa consciência em ação. 

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A pesquisa da Aon, realizada há 20 anos, reflete as respostas de mais de 3.000 participantes em 60 países, incluindo gestores de risco, executivos de recursos humanos, CEOs e CFOs.O estudoda Sedgwick entrevistou executivos da Fortune 500 e se concentrou em sinistros, risco operacional, questões relacionadas à força de trabalho e resiliência. Juntos, os estudos oferecem uma visão abrangente do panorama de riscos que as organizações enfrentarão em 2026 e nos anos seguintes. 

A lacuna em termos de preparação está aumentando

Uma das conclusões mais evidentes é que a exposição ao risco está aumentando mais rapidamente do que a preparação. Durante a discussão, Joe Peiser observou que os líderes estão cada vez mais conscientes da volatilidade externa, desde ameaças cibernéticas até eventos climáticos e riscos de litígios. No entanto, relativamente poucas organizações estão quantificando o risco de forma consistente ou utilizando análises para orientar a tomada de decisões. 

Para os líderes de gestão de riscos, essa lacuna representa tanto um desafio quanto uma oportunidade. Dave Arick enfatizou a importância de ir além da intuição e adotar uma tomada de decisão baseada em dados. O planejamento de cenários surgiu como uma das ferramentas mais práticas disponíveis, ajudando as organizações a desenvolver a “memória muscular” necessária para responder de forma eficaz quando ocorrem perturbações. 

A IA e os riscos cibernéticos são, atualmente, riscos empresariais

Os riscos cibernéticos e a inteligência artificial dominaram grande parte da discussão. A pesquisa da Aon continua a identificar os riscos cibernéticos como o principal risco, tanto atual quanto futuro, enfrentado pelas organizações, enquanto a IA passou rapidamente a figurar entre as principais preocupações emergentes. 

Arick e Peiser destacaram que a IA gera oportunidades e riscos ao mesmo tempo. As organizações estão utilizando a IA para melhorar a eficiência, fortalecer a análise de dados e aprimorar a tomada de decisões. Ao mesmo tempo, os agentes mal-intencionados estão utilizando essas mesmas tecnologias para identificar vulnerabilidades, acelerar ataques e aumentar a complexidade dos desafios de segurança cibernética. 

A pesquisa da Sedgwick revelou outra questão importante: a lacuna entre a governança da IA e a prontidão operacional. Muitas organizações estão criando comitês e políticas, mas poucas conseguiram traduzir essas estruturas em práticas cotidianas. O desafio não é mais criar uma estratégia de IA, e sim colocá-la em prática. 

A resiliência da cadeia de suprimentos tornou-se uma prioridade estratégica

A conversa também destacou a crescente relação entre a instabilidade geopolítica, a política comercial e as interrupções na cadeia de suprimentos. Segundo Peiser, o risco geopolítico costuma se manifestar inicialmente por meio das cadeias de suprimentos, criando desafios que rapidamente se propagam pelas operações, pelos clientes e pelo desempenho financeiro. 

Atualmente, as organizações enfrentam uma gama mais ampla de ameaças à cadeia de suprimentos, incluindo concentração de fornecedores, conflitos geopolíticos, preocupações com crédito e interrupções que se estendem por vários níveis além de seus fornecedores diretos. Em resposta a isso, muitas estão reavaliando suas estratégias de abastecimento, aumentando os níveis de estoque e investindo em ferramentas que proporcionam maior visibilidade das dependências da cadeia de suprimentos. 

A lição mais ampla ficou clara: a resiliência não pode mais ser deixada para segundo plano. As organizações precisam identificar onde estão suas vulnerabilidades e se preparar para as perturbações antes que elas ocorram. 

Os litígios continuam a redefinir o panorama de riscos

A discussão também analisou o cenário em constante evolução dos litígios de responsabilidade civil nos Estados Unidos, onde o aumento da gravidade das reivindicações, os veredictos exorbitantes, a inflação social e o financiamento de litígios por terceiros estão criando novas pressões para as organizações. 

Arick e Peiser manifestaram preocupação com o crescente impacto financeiro dos litígios e suas implicações para empresas de todos os portes. Eles também enfatizaram a importância da prevenção, defendendo práticas de segurança mais rigorosas, uma melhor coleta de dados, uma gestão contratual mais rigorosa e a identificação proativa de riscos. 

Para organizações com exposição a riscos relacionados a transporte, frota ou prestadores de serviços, isso significa dedicar mais atenção à segurança dos motoristas, à telemática, aos requisitos de seguro e a outras medidas de prevenção de perdas que possam reduzir o risco antes mesmo que ocorra um sinistro. 

Desenvolvendo resiliência em um mundo cada vez mais conectado

Ao final da conversa, ambos os líderes voltaram a abordar um tema comum: os riscos atuais não existem isoladamente. As ameaças cibernéticas afetam as operações. Os eventos geopolíticos interrompem as cadeias de suprimentos. Os litígios influenciam o desempenho financeiro. Os desafios climáticos afetam a segurança da força de trabalho e a continuidade dos negócios. 

Para os líderes de risco, o caminho a seguir não consiste em prever todas as perturbações. Trata-se de construir organizações resilientes, capazes de se adaptar quando as perturbações inevitavelmente ocorrerem. Isso exige uma colaboração mais forte entre as funções, maior uso de dados e análises, planejamento de cenários mais frequente e a disposição de pensar além dos silos tradicionais de risco. 

A mensagem transmitida por ambos os estudos foi notavelmente consistente: embora o risco esteja se tornando mais complexo, as organizações que desenvolverem resiliência de forma proativa estarão mais bem posicionadas para enfrentar o que quer que venha a seguir. 

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