Após interromper em grande parte as inspeções nas instalações durante a pandemia da COVID-19, a Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA) retomou esse tipo de supervisão nos últimos 18 meses. No entanto, vários eventos recentes no mercado envolvendo colírios contaminados revelaram algumas deficiências no sistema de inspeção e a necessidade de mais diligência por parte dos fabricantes, varejistas e outras partes interessadas no ciclo de vida do produto. 

Desafios e possíveis soluções

Em fevereiro de 2023, uma cepa bacteriana resistente a medicamentos foi detectada em várias marcas de colírios, levando a FDA a emitir alertas aos consumidores e os fabricantes a emitir recalls dos produtos. Essa contaminação bacteriana foi especialmente preocupante porque era a primeira vez que a cepa era relatada nos EUA. Os colírios recolhidos foram fabricados em uma fábrica na Índia, que não havia sido inspecionada pela FDA antes do surto.

Embora a pandemia tenha prejudicado a capacidade da FDA de realizar inspeções em instalações estrangeiras e nacionais, as visitas locais nacionais já foram retomadas. No entanto, umestudorealizado em abril de 2023 descobriu que as inspeções da FDA em fabricantes de medicamentos no exterior não voltaram aos níveis observados em 2019, antes do surto da COVID-19.

Um recente recall de ainda mais colírios sugere que a agência está trabalhando para melhorar seus processos de inspeção. Dados atualizados podem mostrar um aumento nas inspeções estrangeiras desde o relatório anterior, mas isso ainda não foi confirmado.

Sinais de progresso

No final de outubro, a FDA emitiu um alerta aos consumidores, instando-os a não comprar ou usar 27 produtos diferentes de colírios devido ao “risco potencial de infecções oculares que poderiam resultar em perda parcial da visão ou cegueira”. A FDA haviarecomendadoanteriormentequeo fabricante desses produtos recolhesse todos os lotes “depois que os investigadores da agência encontraram condições insalubres nas instalações de fabricação” e relataram “resultados positivos em testes bacterianos de amostras ambientais”. 

Esses alertas antecipados aos consumidores indicam que os sistemas de inspeção da FDA estão funcionando quando a agência tem pessoal suficiente para enviar investigadores às instalações — especialmente considerando que a FDA não havia recebido nenhum relato adverso de infecção ocular causada pelos produtos afetados no momento do alerta.

Mais responsabilidade pode recair sobre os fabricantes

Embora seja encorajador ver que a FDA está cumprindo suas funções de investigação e inspeção, esses casos revelam um risco crescente para os fabricantes. Em uma era de crescente escrutínio por parte dos consumidores, os alertas da FDA e de outros órgãos reguladores agora são imediatamente divulgados por dezenas de veículos de comunicação nacionais, regionais e locais — levando uma crise no mercado diretamente para as casas dos consumidores.

Se uma empresa não tiver se preparado antecipadamente para tal cenário, o impacto pode ser devastador. E embora a FDA desempenhe um papel importante na segurança dos produtos, essa responsabilidade também recai sobre os fabricantes, varejistas e qualquer outra empresa envolvida no ciclo de vida de um produto. Agora, mais do que nunca, é importante que as empresas monitorem suas cadeias de suprimentos e as outras partes interessadas envolvidas, para garantir que estejam mantendo os níveis necessários de qualidade e segurança.

Além disso, os órgãos reguladores estão tomando medidas cada vez mais severas contra as empresas que não notificam rapidamente as agências sobre relatos de eventos adversos e outras reclamações dos consumidores. Embora a FDA não tenha alegado que esse foi o caso dos fabricantes de colírios, é um aviso importante que as empresas devem ter em mente. 

A implementação de um protocolo rigoroso de garantia de qualidade e segurança do produto pode ajudar as empresas a identificar problemas de segurança do produto antes que ele chegue ao mercado — mantendo-as em conformidade com os reguladores e longe dos holofotes da mídia.