23 de abril de 2026
A Lei de Segurança Predial de 2022 transformou o panorama da construção civil, dando início a uma nova era de responsabilização e gestão de riscos. Ela reformula o projeto, a construção, a gestão e o seguro de edifícios, marcando uma mudança decisiva no ambiente construído do Reino Unido — com implicações de longo alcance para profissionais de sinistros, seguradoras e peritos.
O que mudou?
A lei introduz um novo regime regulatório mais rigoroso e de âmbito mais amplo:
- Responsabilidades legais ampliadas: os responsáveis (projetista principal, empreiteiro principal e cliente) agora têm obrigações legais em todos os projetos de construção, e não apenas em edifícios de grande altura.
- Maior fiscalização regulatória: O Órgão Regulador de Segurança Predial (BSR) é responsável pelo cumprimento das normas, pela qualificação profissional e pela fiscalização, tendo autoridade para aplicar sanções penais.
- Requisito do Golden Thread: É necessário manter um registro digital das informações de segurança do edifício ao longo de todo o seu ciclo de vida, garantindo transparência e constituindo uma importante linha de defesa em eventuais reclamações futuras.
- Análise mais rigorosa de edifícios de maior risco: a obrigatoriedade de notificação de ocorrências e aprovações prévias para edifícios com mais de 18 metros ou 7 andares ou mais acrescentam uma supervisão adicional, o que muitas vezes resulta em prazos mais longos e possíveis atrasos.
Implicações em matéria de seguros
O mercado de seguros imobiliários do Reino Unido passou por grandes mudanças. Com o objetivo de evitar tragédias como a de Grenfell, a lei introduz reformas abrangentes que afetam diretamente a forma como as seguradoras avaliam riscos, definem prêmios e lidam com sinistros. A capacidade de cobertura para edifícios residenciais inflamáveis ou de alto risco é agora extremamente limitada, com apenas um pequeno número de seguradoras dispostas a assumi-los. Essa redução na capacidade não só eleva os prêmios, como também limita o nível de risco que cada seguradora está disposta a cobrir.
Avaliações de risco mais rigorosas
Atualmente, as seguradoras exigem uma documentação completa antes de subscrever apólices para edifícios altos, incluindo:
- Formulários válidos de avaliação de resistência ao fogo para sistemas de paredes externas (EWS)
- Comprovação das obras de recuperação
- Relatórios detalhados de análise de segurança para edifícios com mais de 18 metros
Os edifícios que não cumprirem essas normas podem enfrentar:
- Prêmios mais altos
- Cobertura restrita (riscos específicos excluídos ou limites de indenização aplicados)
- Franquias significativas ou cláusulas de cosseguro
- Recusa total da cobertura
Prazos de responsabilidade prolongados
A Lei sobre Defeitos em Imóveis foi ampliada, estendendo o prazo de prescrição para reclamações para 30 anos retroativamente e 15 anos prospectivamente. Essa mudança abre caminho para reclamações antigas — mesmo contra imóveis concluídos já na década de 1990.
Para as seguradoras, as implicações são significativas. Elas devem estar preparadas para:
- Reativação de créditos há muito inativos
- Aumento do número de casos encaminhados para arbitragem devido a defeitos herdados
- Aumento dos litígios judiciais sobre responsabilidades de remediação
Ajuste de sinistros
Compreender a Lei de Segurança Predial de 2022 é apenas o primeiro passo; o desafio está em aplicá-la na prática. A legislação está em constante evolução e, com ela, o papel dos peritos em sinistros. A lei define não apenas a aceitação de riscos, mas também a forma como os sinistros são gerenciados, as expectativas são estabelecidas e as reservas são planejadas.
Para se manterem proativos e precisos, os peritos em sinistros devem:
- Identificar edifícios altos: consultar oregistro oficial do governoem caso de dúvida.
- Avalie a segurança contra incêndios de forma holística: leve em consideração todo o perfil de segurança contra incêndios, e não apenas elementos isolados.
- Avalie antecipadamente os critérios regulatórios: determine se as reparações exigem um pedido junto ao Órgão Regulador de Segurança Predial — por exemplo, nos casos em que a compartimentação contra incêndio tenha sido afetada.
Faça reservas de forma realista
A situação do imóvel e eventuais recusas por parte das autoridades reguladoras podem afetar diretamente as reservas destinadas a acomodações alternativas, perda de aluguel e honorários profissionais. As reservas devem refletir prazos realistas e incluir contingências adequadas. Além disso, exigem revisão periódica e diálogo aberto com as seguradoras caso sejam prováveis ajustes significativos.
Prepare-se para atritos regulatórios
O Órgão Regulador de Segurança Predial frequentemente recusa pedidos devido a métodos de construção não conformes, registros incompletos, documentação em falta ou programas de trabalho pouco claros. Essas recusas podem atrasar significativamente os pedidos de indenização e causar frustração aos segurados, corretores e seguradoras. Embora grande parte disso esteja fora do controle do perito, tomar as medidas certas desde o início pode amenizar o impacto.
Gerenciar expectativas
Gerenciar as expectativas é fundamental para manter a confiança e o ritmo ao longo de todo o processo. Os peritos em sinistros fazem isso da seguinte forma:
- Identificar os responsáveis numa fase inicial
- Explicar o processo regulatório e as consequências do não cumprimento às pessoas que talvez não estejam familiarizadas com o assunto
- Identificar possíveis atrasos antes que eles ocorram
- Estabelecer prazos realistas, mas com ressalvas cuidadosas
- Incentivar o envolvimento precoce com o Órgão Regulador de Segurança Predial
- Chamar atenção especial aos limites da apólice e aos prazos de indenização
Resumo
A Lei de Segurança Predial de 2022 já se tornou parte integrante da prática cotidiana. Mais do que um conjunto de regras, ela marca uma mudança na forma como o setor encara a responsabilidade e a segurança. Para seguradoras, gestores de risco e peritos em sinistros, ela exige visão de futuro, envolvimento proativo e maior cuidado no tratamento dos sinistros.
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