25 de janeiro de 2024
Como avaliadores e gestores de sinistros, frequentemente nos deparamos com reclamações relacionadas a supostos defeitos ou falhas de produtos ou serviços. Além das obrigações previstas na lei comum e nos contratos celebrados, há legislação a ser considerada, dependendo se o reclamante é um consumidor ou outra empresa. Neste blog, destacamos os direitos e proteções do consumidor relacionados a bens e serviços, bem como as nuances das reclamações entre empresas.
Reclamações dos consumidores
A Lei dos Direitos do Consumidor de 2015(CRA 2015) reúne os direitos e recursos anteriormente contidos em várias leis relacionadas com a venda de bens e prestação de serviços, bem como cláusulas abusivas em contratos. No que diz respeito aos tipos de reclamações com que normalmente nos deparamos, a lei aborda os casos em que os bens são considerados defeituosos de alguma forma ou por algum motivo.
Mercadorias
A CRA 2015 contém termos implícitos (s. 9 – 18), que incluem que os produtos vendidos devem ser:
- De qualidade satisfatória;
- Adequado para o seu fim específico, sendo aquele para o qual bens desse tipo são normalmente fornecidos, ou para o qual as partes sabiam que o consumidor pretendia utilizá-lo; e
- Conforme descrito.
Caso algum destes termos não seja cumprido, a CRA 2015 estabelece as soluções disponíveis para o consumidor (s. 19 – 24), que normalmente exigem que o comerciante reembolse, repare ou substitua os produtos.
Serviços
A prestação de serviços também é abordada pela CRA 2015, que contém termos implícitos (s. 49 – 53) que devem ser:
- Executado com cuidado e habilidade razoáveis;
- Executado de acordo com qualquer informação, verbal ou escrita, fornecida ao consumidor sobre o serviço a ser prestado; e
- Executado dentro de um prazo razoável.
O que nos preocupa mais, normalmente, é o direito do consumidor de invocar essas violações como dando origem a uma violação do contrato, conferindo-lhe assim o direito de recorrer a outras medidas disponíveis ao abrigo do direito contratual, por exemplo, indemnizações (s.1(40 + 227) das Notas Explicativas).
Quaisquer tentativas por parte de um comerciante de inserir termos que limitem a sua responsabilidade por violações destes termos, entre outros, não são vinculativas para o consumidor, ou seja, são efetivamente proibidas (s.31+s.57) em todas as circunstâncias, exceto em casos muito limitados. Isso é abordado mais detalhadamente pela questão de se um termo é consideradoinjusto (s.61 – 76), especificamentese, contrariamente ao requisito de boa-fé, ele causa um desequilíbrio significativo nos direitos e obrigações das partes nos termos do contrato, em detrimento do consumidor.
A Lei de Proteção ao Consumidor de 1987(CPA 1987) permite que os consumidores apresentem reclamações decorrentes de umdefeitoem um produto, mesmo que não exista um contrato entre as partes. Seu objetivo geral é proteger os consumidores contra produtos inseguros e publicidade enganosa. Ela também lhes dá o direito de reclamar indenização por lesões ou danos causados por produtos defeituosos (s.2). Nesse sentido, impõe uma responsabilidade objetiva aos produtores, tal como definido nasecção 1(2), aqueles que se apresentam como produtores e importadores do Reino Unido.
Determinar se o segurado se enquadra em uma dessas categorias é fundamental para qualquer investigação, tanto para determinar se ele tem responsabilidade objetiva quanto se outra parte a quem a reclamação pode ser redirecionada tem essa responsabilidade. Embora a CPA 1987 não exija que o consumidor comprove negligência, ele deve provar a existência de um defeito e seu efeito. Na prática,os produtoreseimportadorespodem querer se envolver de perto em qualquer investigação forense e iniciá-la, sem demora, se houver qualquer dúvida sobre a presença de um defeito causal.
A CPA 1987 restringeos danos que dão origem à responsabilidade (s.5) à morte ou lesões pessoais, ou qualquer perda ou dano à propriedade que seja para uso privado, ocupação ou consumo.
Em muitos aspectos, a CPA 1987 é uma ferramenta mais eficaz para os consumidores quando desejam reclamar por lesões ou danos materiais que acreditam terem sido causados por um produto defeituoso. Por vezes, permite-lhes contornar uma cadeia contratual/de abastecimento complexa, embora não os impeça de procurar reparações decorrentes do contrato ao abrigo da CRA 2015, em vez disso ou adicionalmente.
Reclamações entre empresas (B2B)
A maior parte daLei de Venda de Mercadorias de 1979(SGA 1979) eda Lei de Fornecimento de Mercadorias e Serviços de 1982(SGSA 1982) ainda se aplica aos contratos B2B, embora seja importante notar que apenas (s.11A – 11L) desta última, relativa ao fornecimento de mercadorias, se aplica na Escócia.
A SGA 1979 estabelece termos implícitos (s.10 – 14), incluindo que os produtos devem ser de qualidade satisfatória, considerando fatores como segurança e durabilidade, entre outros.
A SGSA 1982 contém requisitos semelhantes relativos à transferência ou aluguel de bens, bem como aborda a prestação de serviços (s.12 – 16). Os termos implícitos incluem que o fornecedor prestará o serviço com cuidado e habilidade razoáveis e o realizará dentro de um prazo razoável.
É claro que o que constitui o cumprimento de tais termos é subjetivo, e é importante considerar cuidadosamente os acordos contratuais personalizados celebrados entre as partes em qualquer contrato específico. Nas relações B2B, há maior margem para as partes celebrarem contratos como acharem adequado e definirem a repartição de riscos e responsabilidades, sujeitas aos termos daLei de Cláusulas Contratuais Abusivas de 1977(UCTA 1977). Por exemplo, não é possível excluir a responsabilidade por negligência que cause morte ou lesões pessoais, mas é possível que as partes concordem que uma indenizará a outra por essa responsabilidade.
Ao avaliar quaisquer obrigações contratuais onerosas para os fins da UCTA 1977, considere se elas passam noteste de razoabilidade (s.24), que incorpora diretrizes (Anexo 2) — considerando as posições relativas de negociação das partes e se foi oferecido algum incentivo para concordar com um determinado termo. À parte essas considerações, os tribunais geralmente relutam em interferir na maneira como as partes de status equivalente optam por celebrar contratos entre si, tornando a interpretação de suas intenções particularmente importante.
Olhando para o futuro
Ao lidar com qualquer reclamação relacionada à venda ou fornecimento de bens e serviços, considere cuidadosamente a natureza e o status das partes contratantes, a legislação relevante e quaisquer termos contratuais específicos que sejam apresentados. Em particular, é fundamental compreender a diferença entre contratos envolvendo consumidores e relações entre empresas.
Saiba mais > entre em contato com[email protected]ou[email protected].
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