A engenharia forense envolve a investigação de falhas ou problemas de desempenho, a fim de determinar a sua causa. Os especialistas nesta área aplicam conceitos de engenharia e princípios científicos para analisar propriedades, sistemas ou estruturas que não estão a funcionar como pretendido. Eles recolhem provas forenses para obter informações sobre as circunstâncias que envolveram o incidente e, se o caso levar a um litígio judicial, apresentam as suas conclusões como prova em tribunal para ajudar na resolução do caso. As falhas podem variar de eventos catastróficos, como o colapso de um edifício ou ponte, a casos em que instalações ou componentes não funcionam como pretendido pelo projetista, proprietário ou construtor. Os especialistas forenses que atuam no setor de seguros devem seguir uma metodologia confiável para descobrir a causa de um sinistro.

O método científico

Os engenheiros forensesempregam métodos e procedimentos rigorosos para resolver problemas e conduzir investigações, sendo o método científico a abordagem fundamental. Esse método — um conjunto bem conhecido de técnicas empíricas — tem desempenhado um papel significativo no desenvolvimento da ciência há séculos. Ele envolve sete etapas principais que os especialistas forenses seguem rigorosamente. Descrevemos uma oitava etapa adicional que vale a pena mencionar aos clientes.

Primeiro passo:reconhecer a necessidade (observar)

Após a ocorrência de um sinistro ou acidente, o primeiro passo é identificar o problema. Os peritos forenses devem determinar a causa principal e a origem do incidente e atribuir responsabilidades. Identificar a causa e a parte responsável ajuda a evitar que incidentes semelhantes se repitam no futuro.

Passo dois:definir o problema (questão)

É desenvolvido um plano de ação para resolver o problema. Este plano descreve uma investigação estratégica, passo a passo, com o objetivo de resolver a questão.

Terceiro passo:recolher dados (pesquisa)

Os engenheiros forenses realizam uma visita preliminar ou inspeção do local onde ocorreu o incidente e recolhem provasforenses. É fundamental recolher todos os dados disponíveis associados ao local do incidente antes de analisar ou formular hipóteses. Os profissionais forenses têm o dever de recolher todos os factos relevantes sem teorizar prematuramente, garantindo o desenvolvimento de uma hipótese imparcial e livre de especulações.

Passo quatro:analisar os dados (formular hipóteses)

Esta etapa envolve uma análise minuciosa de todos os dados recolhidos. Especialistas nas áreas relevantes podem ser consultados para fornecer os seus conhecimentos especializados.

Passo cinco:desenvolver a hipótese (experiência)

Com base nos resultados da análise de dados, bem como na experiência, formação e treino dos profissionais, os engenheiros forenses desenvolvem hipóteses potenciais. Nesta fase, são normalmente consideradas várias hipóteses.

Passo seis:teste as hipóteses (analise)

Cada hipótese é testada em relação a todos os factos e evidências conhecidos. Isso pode envolver testes físicos para recolher dados adicionais que apoiem ou refutem as hipóteses. Qualquer hipótese não apoiada pelas evidências deve ser descartada. O teste de hipóteses é um processo rigoroso e repetitivo que termina quando todas as hipóteses viáveis foram testadas e as refutadas foram eliminadas.

Passo sete:selecione a hipótese (conclua)

Após avaliar, testar e rejeitar várias hipóteses, restará apenas uma hipótese que não pode ser descartada. Essa hipótese final identifica a causa raiz do evento.

Passo oito:partilhar as conclusões com o cliente (comunicar)

Para os peritos forenses que lidam diretamente com os clientes, um passo adicional é crucial. As investigações e análises forenses envolvem conclusões complexas e informações altamente técnicas que podem ser difíceis de entender para a pessoa comum. No entanto, os clientes têm uma necessidade comum: compreender a questão e formar as suas próprias perspetivas sobre o incidente para tomar decisões informadas sobre a cobertura. A capacidade de comunicar conclusões complexas em linguagem simples é vital. Os engenheiros forenses atuam como tradutores, transmitindo informações complexas de uma maneira facilmente compreensível pelos profissionais das seguradoras.

Características de um caso típico

Um caso típico geralmente tem origem de duas maneiras. Primeiro, uma empresa de engenharia forense é procurada por um cliente interessado em investigar uma perda e determinar a sua causa. Alternativamente, uma falha, como um colapso, pode ser noticiada nos meios de comunicação ou chegar ao conhecimento de uma empresa de engenharia forense. Nesses casos, a empresa identifica a seguradora envolvida na perda, entra em contacto com ela e contrata um grupo de clientes de transportadoras que desejam entender o que aconteceu e porquê.

A duração de uma investigação forense varia significativamente. Por exemplo, a EFI Global lida com mais de 40.000 projetos de engenharia forense por ano. A maioria desses projetos envolve uma visita ao local de um dia, um dia de relatório e um tempo total de resposta inferior a duas semanas. Projetos mais complexos requerem análises e consultas adicionais, o que pode prolongar o período de investigação para até dois anos.

Cada caso inclui pelo menos duas camadas de análise de qualidade para incidentes de baixa exposição: o autor principal e o revisor especialista. No entanto, casos complexos muitas vezes exigem conhecimentos multidisciplinares além dos recursos internos. Isso pode envolver a contratação de engenheiros, cientistas ou investigadores especializados. Os engenheiros forenses contam com uma rede global de especialistas para consultar sempre que necessário. Se um caso envolver o colapso de uma montanha-russa, por exemplo, o engenheiro forense principal pode procurar a ajuda de um consultor especializado em montanhas-russas para auxiliar na análise da causa.

A importância da comunicação aberta e da ética

A comunicação desempenha um papel crucial ao longo de todo o processo, não apenas durante a oitava etapa descrita. Receber uma tarefa, não comunicar nada durante seis meses e retornar com as conclusões seria um fracasso profissional. Atualizações frequentes, especialmente em casos complexos, são essenciais. A seguradora precisa entender a causa e a parte responsável, caso surja uma ação judicial.

A prática da engenharia forense é orientada por rigorosos padrões éticos, e não apenas pelas necessidades do cliente. É fundamental eliminar qualquer tipo de parcialidade. Portanto, os peritos forenses devem manter a imparcialidade e não ter conflitos de interesses reais, latentes ou potenciais. Não devem ter relações pessoais ou comerciais com nenhuma das partes envolvidas e não devem ter interesse ou beneficiar do resultado do caso. As conclusões e o testemunho de um engenheiro forense podem ter consequências significativas e de longo alcance para os negócios, a reputação profissional e até mesmo a vida pessoal das partes envolvidas, particularmente daquela acusada de causar a falha.

A ética investigativa empregada e a imparcialidade do profissional estão sujeitas a um rigoroso escrutínio. Devido à importância dos processos judiciais, os peritos que prestam depoimentos são obrigados a seguir os mais elevados padrões éticos.

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