Após vários anos difíceis, muitas das questões logísticas que afetaram as cadeias de abastecimento globais estão a começar a estabilizar. No entanto, o roubo de carga continua a ser uma preocupação. Com a inflação persistente e outras pressões económicas, o fenómeno exige a mobilização de todas as partes envolvidas no transporte de mercadorias.

Mesmo que a grande maioria das remessas ocorra sem problemas, vários elos da cadeia permanecem expostos ao risco de roubo. Na verdade, um grande número de crimes relatados ocorre durante o pré ou pós-transporte. Segurança, malícia e roubo (incluindo roubo por fraude) tornam-se prioridades. São implementadas medidas dissuasivas suficientes, incluindo uma maior segurança dos armazéns e locais de armazenamento através de recursos humanos e técnicos (proteção por vídeo/monitorização remota), bem como certificações de segurança dos locais e armazéns.

Roubo de transporte

Atualmente, dois tipos de roubo com características muito distintas continuam a ser um desafio:

  • Roubo por oportunidade: geralmentecrimes pouco sofisticados e de menor valor, como bens em veículos com poucos ou nenhum meio de segurança estacionados em parques de estacionamento sem segurança. O aumento das compras online e o consequente transporte de mercadorias, bem como a acumulação de mercadorias em pátios ferroviários e portos de embarque assim que ocorre um incidente, são dois fatores que multiplicaram este tipo de roubo nos últimos anos.
  • Crime organizado: Mercadorias específicas, crimes mais sofisticados e planeados que muitas vezes requerem a cooperação de uma pessoa com informações privilegiadas sobre a rota de trânsito. Os criminosos não medem esforços para identificar cargas valiosas, como produtos eletrónicos e farmacêuticos, falsificar licenças e documentos de transporte, criar linhas de transporte rodoviário falsas e outros esquemas enganosos para roubar as mercadorias.

A realidade no terreno

Apesar dos procedimentos implementados, o transporte terrestre continua a ser uma área sujeita a riscos. Por exemplo, pode ocorrer congestionamento no porto em caso de greve portuária, ou um motorista pode atingir o limite do seu tempo de condução autorizado. A obrigação de estacionar o veículo na estrada é difícil de gerir, uma vez que existem muito poucos parques de estacionamento seguros em França.

Existe um mapa que mostra quais países são mais afetados pela criminalidade do que outros, mas nenhum país está isento. Quando chumbo adulterado é encontrado num contentor transportado da França para os Estados Unidos, muitas pessoas não apresentam queixa porque não sabem ao certo onde isso aconteceu. Essas infrações, portanto, não são denunciadas. Para dar um exemplo recente, consideremos as 300 encomendas que desapareceram de um contentor proveniente da Índia via Antuérpia. Quem deve apresentar queixa? O remetente considera que não é da sua competência. À chegada a França, é impossível saber onde ocorreu o voo, especialmente no momento da escala.

É frequentemente observado que existe uma falta de coordenação entre as várias partes envolvidas. No entanto, apenas uma abordagem concertada poderia permitir a implementação de ações preventivas e limitar os riscos.

Custo dos incidentes 

A segurança é sempre uma prioridade, mas pode ter um custo, e nem todos os transportadores estão dispostos a aceitá-lo. No entanto, o custo do roubo é muitas vezes mais caro do que tomar medidas preventivas.

Quer os bens sejam roubados de um navio, comboio, camião ou armazém, as perdas de bens que ocorrem durante o transporte são geralmente cobertas por apólices de seguro marítimo. Todas estas situações têm um custo. Por exemplo, quando um contentor é aberto, a sua entrega é atrasada em vários dias. As franquias podem variar entre 15 000 e 20 000 euros por sinistro, o que pode representar montantes significativos.

As transportadoras recorrem aos especialistas para ajudá-las a determinar a responsabilidade no momento do roubo (se a investigação determinar que a negligência de um dos transitários, transportadoras ou subcontratados de logística levou ao roubo, então eles devem assumir a responsabilidade pela perda), bem como para recuperar os bens roubados e reduzir o risco de perdas futuras.

Proteção de interesses

Entre as ações a serem consideradas para combater atos maliciosos, os profissionais de segurança devem ser solicitados a realizar uma análise de risco antes do transporte das mercadorias. O cliente pode elaborar um conjunto de especificações, que é objeto de um estudo, e não apenas uma oferta de preços baseada no menor valor apresentado. Estabelecer essa recomendação é particularmente relevante quando o valor das mercadorias ou a distância/destino são sensíveis. Ao iniciar uma conversa sobre como o transporte pode ser organizado, o cliente e a transportadora partilham uma visão comum dos riscos. As questões problemáticas precisam de ser discutidas e validadas em conjunto. Para o cliente, torna-se então mais aceitável pagar pelo serviço, que também corresponde a um serviço de consultoria. 

Como já vimos, é essencial comunicar todos os factos/observações, mesmo que não sejam comunicados às seguradoras, bem como transmitir essas conclusões às autoridades (relações entre determinados factos) para lhes dar mais meios para agir.

No caso das seguradoras, pensar no nível das franquias que atualmente não incentivam as pessoas a apresentar reclamações seria um primeiro ponto de reflexão, assim como agir coletivamente na prevenção. Proteger bens pode gerar custos que o cliente nem sempre está disposto a aceitar. A transportadora não pode cuidar de tudo. Um incentivo na forma de bónus poderia estimular o investimento necessário em veículos, por exemplo. A segurança é da responsabilidade de todos e a sensibilização é essencial. Começa com o desenvolvimento de boas práticas simples e uma cultura de segurança. 

O setor precisa lidar com novos riscos, como os cibernéticos, que podem ter um impacto real nos negócios de transporte, mas não podemos ignorar os riscos fundamentais. Em caso de incidente, a reputação de todos pode estar em jogo e, em caso de processo judicial, o juiz pode ser menos indulgente com uma empresa que tem toda a capacidade de agir. Precisamos implementar iniciativas conjuntas para reduzir esses riscos e limitar os custos para as empresas.